Valorize a depilação da sua mulher!

Todo mundo tem preferências, gosta mais de uma coisa do que de outra e isso é natural do ser humano. Tem gente que prefere a cor azul, mas nem por isso só tem roupa azul no armário. Tem gente que prefere macarrão alho e óleo, mas não deixa de almoçar se tiver macarronada ao molho branco na mesa. Preferências, fim. Se alguém vier falar comigo de depilação, e partes íntimas femininas, de gente que tira a roupa e se diverte e tudo mais, vou ter minhas preferências. Não importa se for floresta amazônica, jardim botânico ou Serra Pelada, vai estar sempre bom, nunca vou abandonar mulher nenhuma, nem deixar na mão, por causa de um detalhe assim. Mas se for pra escolher uma só… Serra Pelada.

E eu sempre reconheci o cuidado e a preocupação que as moças com quem eu fiquei tiveram, ao aparecerem da maneira como eu preferia. Se tivessem vindo com a depilação de dois meses atrás a ação seria a mesma, mas você entendeu o que eu quis dizer. Eu reconhecia a atitude! Acho que a maioria dos homens faz o mesmo (espero que sim, brothers!), mas a gente, por alguma ignorância eletiva, ou até mesmo por sermos leigos no assunto, não consegue dimensionar exatamente qual é o tamanho do esforço de uma mulher que enfrenta a cera pra agradar o moço com quem vai ficar.

Já li mil vezes que isso é ditadura machista, que homem que só gosta de mulher “lisa” é filho da puta e bla bla bla como sempre. O fato é que eu não obrigo ninguém, não nego ninguém e este não é um texto sobre “mulheres, depilem-se”, ok? Na verdade, é bem o contrário. A gente, homem, quando se depara com a visão que mais nos agrada – seja ela qual for – não temos muita noção do trabalho e do sofrimento envolvido ali. Eu sei que dói. A gente sabe que dói. As mulheres dizem que dói, e dói muito, e a gente não duvida. O problema é que a gente, na verdade, não sabe de nada!

Daí eu fui tentar ter uma vaga noção… (puts!) Quem me conhece sabe que eu sou um daqueles caras que não teve a evolução dos genes bem definida e meu corpo esta mais pra primata do que pra humano desenvolvido. Tenho pelos. Muitos. Em todo canto do meu corpo. Herança de família de algum ancestral que quis me sacanear nessa vida. Até que aceito bem minha natureza “selvagem”, mas pelos nas costas é uma parada que eu nunca curti, nunca vou curtir e, querendo ou não, sempre tive. Tinha!

Claro que uma virilha é infinitamente mais sensível do que a pele grossa e esticada das costas, mas é sempre bom lembrar que homem suporta cerca de nove vezes MENOS dor do que as mulheres. Então acho que ao menos tentei chegar perto. Regiane, a moça que me atendeu, disse que a primeira vez sempre doía mais e eu estava disposto a suportar a famosa dor da cera. (Puta que pariu, que sacanagem a gente faz com as mulheres, cara!) Logo na primeira puxada tive plena consciência, lúcida e clara, de que a dor que eu acaba de sentir superava a dor da tatuagem que eu tenho no ombro. E olha que agulha é uma coisa que me provoca quase fobia.

A cera ia quente tomando conta das minhas costas e a única coisa que eu pensava é que aquilo não teria fim. Comecei a suar frio, a cera não grudava, tinha que repetir o processo todo de novo, fui ficando agoniado, as costas começaram a arder, sentia uma queimação que beirava aqueles ardores de quando a gente rala o cotovelo caindo de bicicleta e meia hora depois eu estava botando a camiseta de novo, aliviado e nitidamente abatido. Se eu pudesse dizer uma coisa para as mulheres, depois de ter passado por isso, diria o seguinte: “ôh moça, ignora as nossas preferências, não precisa passar por isso todo mês não… sério!”

Regiane ria de mim e repetia baixinho “homem é muito mole” e eu me agarrava à maca torcendo muito para que aquilo acabasse. Mexeu comigo, sério! Eu não imaginava que pudesse ser tão dolorido. Saí da sala rindo, com ela rindo de mim e eu rindo de mim mesmo, com as costas meio tortas como se tivesse acabado de sair de alguma massagem muito profunda. Sentia um ardor semelhante à aqueles tapões que a gente levava na escola, só que bem mais intenso. No fim, fiz um trato com a minha querida esteticista/carrasca: voltaria em um mês para tirar todos os pelos do peito.

Ela gargalhou junto com a recepcionista, depois veio até mim, colocou a mão no meu ombro e com um certo ar de deboche, mas falando a verdade, me alertou: “não vou mentir, Daniel. Se você vier fazer o peito, você vai chorar!” e eu ri, aterrorizado, mas disposto a cumprir meu trato. Depois disso cheguei a duas conclusões. Sobre as mulheres: estão de parabéns pela paciência e resistência. Sobre os homens: fera, depile seu saco com cera antes de reclamar dos pelos da sua mulher… dica de brother!

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Um pensamento sobre “Valorize a depilação da sua mulher!

  1. Gabriella Alves disse:

    Vou te dizer que ri muito lendo o seu texto. Ri imaginando a cena e pensando em como seria maravilhoso se os outros homens passassem por essa experiência tão… Na falta de uma palavra melhor.. Reveladora! Meus parabéns por você ter conseguido sobreviver e obrigada pelas risadas!
    Abraços…

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