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Skinny Love

Ela dançando na sala, as luzes apagadas e o abajour do canto iluminando só os contornos dos móveis. Poucos móveis porque sempre gostei de andar pelos cômodos, gosto de passar pelos lugares e sentir os pés tocando cada pedaço de chão da casa, então não perdi tempo comprando tapetes, aparadores, mesinhas e coisas do gênero, que na verdade só servem para atrapalhar o caminho. Um sofá comprido, pra uns 10 lugares, tomando conta do canto da sala. Na ponta, um abajour de tripé, na parede três linhas de prateleiras com quadros, fotos e livros. No chão um móvel com um aparelho de som e algumas esculturas sem importância. Na parede oposta à do sofá, duas poltronas marrons de tecido macio olhavam para a varanda, enquanto, nas costas delas, duas cadeiras pretas pintadas com tinta fosca olhavam para o centro da sala vazio e reluzente. Ali estava ela.

Dançava com as pernas juntas, balançava a cintura de um lado para o outro, dobrava os joelhos delicadamente e fazia movimentos aéreos com os braços ao redor do corpo, enquanto movia a cabeça em trancos ríspidos fazendo a cabeleira flutuar no ar. Sentado em uma das cadeiras, ocupando uma das mãos com um copo generoso, assistia àquela dança sensualmente hipnotizante como se fosse um evento sobrenatural. Não parecia sensato ou mesmo possível que alguém tivesse aquele corpo. Na sombra amarronzada misturada com o brilho amarelo da luz uma porção de curvas inéditas se apresentava em movimentos curtos, contidos e perturbadores. “Slide, slide, slide … lose yourself to dance”, dizia a música que tocava, e ela deslizava pelo chão de cimento queimado liso, vestindo apenas meias pretas que se seguravam folgadamente às suas coxas.

Os cabelos eram compridos e lisos, vivos, balançando de um lado para o outro, quase com vida própria, e ela sorria – eu ao menos imaginava que sorria, já que não via muito bem seu rosto – enquanto dançava perdidamente pela minha sala. Eu bebia a goles curtos e suaves, sem descolar os olhos e observando as curvas. Mais do que curvas, eu observava a sombra que elas formavam, os contornos e os desenhos que produziam naquele corpo inédito. Essa é a melhor palavra para definir o corpo daquela garota: inédito. Eu nunca vira alguém com um corpo daqueles sem roupa ao vivo. Só em fotos de revistas, coisas de internet e afins, mas na vida real não havia encontrado nada parecido. Depois ela veio roçar as pernas duras em minhas coxas e sentar no meu colo, inesperadamente pesando menos que uma pluma. Eu passava o copo gelado pelo meio de suas costas e sentia sua pele se arrepiar por inteiro, dos pés à cabeça, enquanto ela passava a língua atrás da minha orelha.

No dia seguinte acordei sem me lembrar que estava acompanhado. Apenas ao olhar para o cabelão misturado com o lençol foi que me recordei da dança, dos copos, do sexo, dos gritos, das risadas, da sacada, da mesa da cozinha, das acrobacias e todo o resto. Tinha sido uma noite muito louca, para definir o mínimo. Ela dormia calma, respirando lentamente e eu, agora amparado pela luz do dia, olhava hipnotizado para seu corpo. Uma menina de 20 e poucos anos, um rosto lindo e delicado, um braço rebelde tatuado quase até o cotovelo e um corpo raro, de formas difíceis de encontrar e mais ainda de manter. Tomei banho e quando voltei ela estava se vestindo, deixando claro que as roupas lhe sobravam em muitos dedos por todos os lados do corpo. Ela me sorriu um riso tímido e eu retribuí na mesma medida. Era a garota mais magra que eu já tinha visto na vida.

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Minhas amigas são mais bonitas do que os outros “dizem” que elas deveriam ser!

Para encurtar a introdução, estou criando uma série fotográfica que vai mostrar mulheres de diferentes idades sem maquiagem ou adornos, exibindo sua aparência e beleza reais. Junto com a Juliana, minha namorada, estamos fotografando 30 idades, partindo dos 15 anos, e isso vai resultar em um material para reflexão e discussão sobre o que é a beleza real. O design vai ficar a cargo da maravilinda Marcella Sholl, e se você conhece o trabalho dela sabe bem do que eu tô falando. Inspirado por esse pensamento de gerar uma conversa sobre a aparência real, comecei a reparar de maneira diferente nas feições das mulheres que conheço e cheguei a uma conclusão quase inconsciente: minhas amigas mais bonitas, ativas e felizes são bem mais velhas do que eu imaginava!

No processo de chamar as mulheres para participarem do projeto e das fotografias, percebi que na maioria dos casos eu errava a idade para baixo. Com algumas eu errei feito. A mulher que vai representar a categoria de 40 anos foi convidada por mim para integrar uma idade entre 33 e 35. A que vai ficar com os 30 anos eu tinha certeza que tinha 27. A dos 34 eu jurava que tinha 33. A dos 35 eu pensei que tinha 32. A dos 29 eu tinha achava que tinha 28. Comecei a perceber que ou meus padrões de beleza mudaram, ou as mulheres de hoje estão cada vez mais jovens, mesmo quando não têm intenção de causar tal impressão.

Tenho amigas de 30 e poucos anos que estão pensando em arranjar o primeiro namorado sério na vida. Outras pensam em fazer uma nova tatuagem, ou pintar a parede do apartamento de amarelo ovo, ou cair no mundo para viajar com uma mochila nas costas no ano que vem. Coisas que eu estava acostumado a ouvir meus amigos de 22, 24 anos dizendo. Tem gente que tem as pernas mais firmes e lisas que minhas amigas mais adictas dos treinos da academia. Tenho amigas que são 7, 8 anos mais velhas que algumas moças que conheço e parecem incrivelmente mais jovens. Os “pós-25” estão, de alguma maneira, fazendo muito bem para a mulherada que eu conheço.

Talvez seja aceitação, ou foco nos pontos fortes, ou experiência, ou mesmo a realização da crença de que gente inteligente e simpática parece mais bonita aos olhos de quem as conhece. A aparência é uma coisa efêmera que a gente dá o maior valor do mundo, mas o que será que nós faríamos se todo mundo tivesse a mesma cara? Como escolheríamos nossos amigos, amores, afinidades? Talvez, ao menos a meu ver, a única maneira de diferenciar pessoas que iriamos querer ter por perto seja com base em suas personalidades, suas crenças, suas ideias e seus ideais. Será que foi isso que rejuvenesceu minhas amigas?

Tenho percebido que algumas coisas ajudaram. A maioria não fuma, bebe pouco, tem sonhos ambiciosos, vive uma rotina independente e consegue manter, cada uma do seu jeito, uma vida afetiva sempre quente e/ou feliz. Talvez sejam esses os remédios para ter sempre uma pele bonita, cabelos cheios de vida, sorrisos largos, corpos harmoniosos e olhos cheios de fogo. Acho que a fonte da juventude está em não se sentir velho. Acredito que essas mulheres, conscientemente ou não, descobriram e usam dessa máxima para permanecerem imunes aos efeitos do tempo.

Num mundo onde os corpos doentes são as considerados saudáveis, onde as propagandas de bem-estar causam mais mal estar do que os filmes de terror, onde as pessoas querem caber em roupas desenhadas para corpos que não existem, desejo muito estar certo. Desejo extremamente, do fundo do meu coração, estar certo sobre o motivo pelo qual minhas amigas de 40 parecem ter 30, minhas amigas de 30 parecem ter 20 e minhas amigas de 20 ainda têm de mostrar o RG para entrar em casas noturnas. Desejo que o verdadeiro caminho para a juventude eterna seja um coração sempre quente, sorrisos sempre largos, otimismo sempre em alta, planos sempre em andamento, mente sempre aberta, xícara sempre meio cheia, inteligência, alegria, felicidade e hábitos simplesmente prazerosos. Desejo, de verdade, que o segredo da beleza esteja escondido no simples fato de ser feliz!

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Viva a siririca!

A gente anda careta e babaca demais. E quando digo “a gente”, quero dizer eu e você, os dois, os todos, porque não é difícil perceber a própria coxinhice, a própria hipocrisia e o próprio atraso de opinião. Mas a gente vive dizendo que vai melhorar e sorte daqueles que realmente buscam aprender mais, ficar mais maleáveis, porque a vida desenhada na base de opiniões sólidas é uma merda construída de um erro atrás do outro. Sabe como você faz isso? Prestando atenção em pessoas que têm opiniões – as sensatas e embasadas, ok? – e formando as suas próprias.

Esses dias pulou um cartaz no meu feed do Facebook que dizia apenas “Gente que toca siririca S2” (imagem disponível na página do facebook) e quem replicou foi a Carol Patrocínio, um bom exemplo dessas pessoas que têm opiniões que podem te ajudar a ter suas próprias opiniões, você concordando com as dela ou não. O lugar de onde ela replicou era uma página chamada Indiretas de Satã, que faz piada com coisas religiosamente não recomendadas, e a justificativa para “Satã” curtir a moçada que toca siriria era que “Siririca é pecado e por isso mesmo é tão massa” e eu, de cara ri. E ri porque é engraçado, porque era pra ser uma piadinha besta e funcionou, mas por trás da piada, ao replicar uma imagem que incetiva e apoia, de maneira carinhosa e leve, mulheres que se masturbam, você fica parecendo um revolucionário revoltoso.

A Carol deu reply na imagem, eu vi, achei incomum e no mesmo segundo repliquei também. Claro que as pessoas ofendidas não se manifestaram, mas elas estavam lá, do outro lado da tela, se sentindo super envergonhadas e incomodadas com um banner gigante na tela dizendo que gente que toca siririca é legal e a gente gosta delas. Alguns dos meus amigos até arriscaram comentários como “Porra, Braz” ou “Ahh, tinha que ser o Braz”, mas na verdade o que todo mundo deveria fazer era dar um like e compartilhar. Só! Assim como o simples fato de um homossexual assumir sua homossexualidade se tornou um ato político e militante, mesmo que o correto seria ser uma coisa banal que não é da conta de ninguém além da dele, colocar-se a favor da liberdade sexual da mulher, que deveria ser uma coisa banal que não é da conta de ninguém além da dela, se tornou uma coisa chocante.

Quando eu vi que o banner só parecia interessante para mim, e não para um monte de outras pessoas envergonhadas, foi que me deu um estalo: ué, tô errado? Acho que não. E dizer “siririca” é o mesmo que dizer “punheta”, que dizer “xana”, “pinto”, “xiririca”, “bilau” e por aí vai. É uma palavra estranha que alguém inventou pra servir de sinônimo popular de uma palavra que a ciência tratou de complicar. MAS-TUR-BA-ÇÃO FE-MI-NI-NA. Prefiro siririca, na boa.

Aí o povo tem vergonha até de LER a palavra, de falar do assunto, como se fosse tabu. Naquelas entrevistas pseudo-sexuais estranhas que veículos estranhos fazem com sub-celebridades estranhas, nunca perguntam pro cara: “Mas então, você bate punheta?” porque a resposta seria um sonoro “CLARO!” e todo mundo já imaginava aquilo. Mas o povo ainda pergunta pra mulher “Você se masturba?” e se ela responde que sim, ela é polêmica (?) se ela responde que não, ela é puritana. Isso parece tão bizarro para mim que fico em dúvida se isso é coisa minha, se eu que tô pensando diferente.

Quem lê as coisas que eu escrevo aqui já deve ter topado com algum texto que fala de uma mulher que se masturba – que toca siririca, pra ficar mais suave – e eu comecei a escrever “cenas” assim depois que percebi que é raridade encontrar gente falando disso como se fosse normal. Porque vamos combinar: É NORMAL! Mas de tanto “as pessoas” acharem que não é, dizerem que não é, ensinarem que não é, a gente acha que não é. E pior: as mocinhas mais novas, nos 10, 12 anos, também acham que não é certo e aí não fazem. E não se masturbar, tanto para homens quanto para mulheres, é uma questão que pode gerar problemas futuros. Problemas que “as pessoas” também insistem que não são importantes, como por exemplo, OR-GAS-MO FE-MI-NI-NO, ou gozo – outra palavra que faz a galera desligar o monitor na hora.

Tem sexólogo falando, tem psicólogo falando, tem mulheres comuns falando, mas o povo ainda recrimina a siririca. Masturbação é um exercício de conhecimento do próprio corpo, isso ajuda – e muito – a mulher, ou o cara, héteros ou homos, a curtirem mais o sexo quando chegar a hora e a se curtirem sozinhos. A mulher se masturba, descobre do que ela gosta mais, onde funciona, onde não funciona e vai ser feliz. Se não tiver com quem ser feliz, vai ser feliz sozinha e fim. Mas aí a gente ensina, direta e indiretamente, que punheta é normal pro garoto, e siririca é errado ao extremo pra menina. Depois abre o jornal e vê estatísticas tristes, tipo “70% das mulheres não atingem o orgasmo em relações sexuais”. CLARO que não é porque ela se masturba que ela vai gozar transando, existem mil coisas a serem consideradas e não é uma formula matemática: siririca = goza no sexo. Mas ajuda, e como ajuda!

Deixar a mulher se masturbar e, mais importante do que isso, incentivar a masturbação feminina, faz parte de criar um mundo onde as mulheres podem decidir sobre o próprio corpo e viverem felizes com eles. Quanto mais mulheres aceitarem a própria imagem e viverem bem com isso, mais homens aceitarão as imagens de suas mulheres e essa cultura do corpo lindão vai se tornar menos importante. Mulheres precisam, merecem e devem ser felizes sexualmente. Sentirem prazer adoidadas. Gozar como loucas. Sozinhas, acompanhadas, em casa, na rua, na chuva, na fazenda ou na casinha de sapê. Siririca não deveria ser uma palavra que gera vergonha, assim como seu significado não deveria ser proibido ou escondido. Não estraguemos as nossas crianças com crenças babacas, opiniões medievais e sentimentos negativos. Viva a siririca!

ps: na página do Memórias Utópicas no facetruque a imagem que foi utilizada para ilustrar este texto é de uma moça chamada Evelyn que atende pelo pseudônimo de “Negahamburguer“. Vale a pena ver o trabalho dela e curtir a visão dela sobre a liberdade do corpo da mulher!

ps2: desculpem as pessoas quem manjam mais do assunto que eu, caso eu tenha falado alguma merda. E desculpem eu bancar a sexóloga frustrada com a  carreira, é que siririca/punheta é coisa séria!

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O corpo da Sensação

Cheguei, cansado, com as malas mais pesadas do que no dia da partida, e atirei tudo ao chão. Sacolas, malas, presentes, fotografias e câmeras, fiquei só comigo, que já peso bastante. Não fiz questão de desfazer as malas para ser prático, mas para libertar os ares que a gente traz de outros lugares. As nossas roupas, nossos objetos, nossas solas de sapatos, trazem coisas de outros lugares. A gente não vê, mas esses ares se agarram a tudo que não é liso e viajam, vêm conosco, mudam completamente o nosso lugar de estar com sua presença invisível, mas inegável. Viajam nos pelos do corpo, também, esses novos ares.

Sentado no tapete, no centro, com as muitas roupas espalhadas ao redor, plásticos, papéis e panos, todos em círculo, comigo no centro, sentado, olhando, deixando que tudo saia de onde tem que sair e se instale onde tem que se instalar. Nunca se deve “bater” ou “limpar” roupas que chegaram de viagem, é uma perda irreparável de espíritos. Sentado ali vi acontecer o que há muito se tornou ritual para mim, mas que pouca gente aproveita: o nascimento de uma nova e colorida Sensação. Ineditismo em forma de corpo.

As pessoas voltam de viagem e a maior preocupação que têm com as roupas é em quando elas voltarão a ficar limpas. Ignorantes seres, somos nós, não? Demorei muito a aprender que, fazendo isso, perdia muito do que poderia me formar como pessoa. Hoje não mais. Hoje sei do surgimento da Sensação. E escrevo em letra maiúscula porque essa sensação é um Ser, é uma coisa, pra não dizer uma pessoa. É um corpo que se materializa de vapores, pequenos grãos de terra, poeira, cheiros e cores. Vai se formando todo colorido, se arredondando e rodopiando no ar, preenchendo um espaço vazio com alguma coisa quase vazia de matéria, mas cheia de significado. É uma Sensação, substantivo feminino, uma moça, um corpo de mulher.

E eu sentado ali, no meio das roupas todas espalhadas, vendo aquele corpo transparente se formar na minha frente e ansioso pelo final. Amarelo, azul, cor de laranja, lilás, preto, branco, cor de rosa, fúcsia, verdes e um monte de outras cores que eu ainda não sei o nome, rodando e crescendo. Estava diante de mim a minha Sensação. A do dia, a da semana, não importa. E ela me abraçou quente, pintando minha camiseta de outras manchas, e sentou-se em frente, na mesma posição. Eu toquei o meio de seu peito, onde deveria haver um coração, e ela fez o mesmo comigo. Nesse momento tudo escureceu de repente, como se apagassem a luz. É o que geralmente acontece.

Fica tudo escuro, preto, na verdade, com os contornos das coisas desenhado em neon e prateados, em torno de espirais coloridas e espécies de bastões, que ficam pelo ar, desenhando formas geométricas de simetria perfeita. Dura alguns minutos e depois, lentamente, as cores vão correndo para dentro das gavetas, dos cantos do quarto, por debaixo da cama e pra dentro dos bolsos das roupas. A mulher de pó e lembranças vai se dissipando, já não imita seus movimentos e vem te abraçar, num gesto de respeito e entrega tão intenso que é possível abraçar de volta e sentir um corpo ali, quente, que tem textura, que tem massa e conteúdo.

E foi o que aconteceu. Fiquei no centro do tapete abraçado a uma Sensação que nasceu depois da minha chegada, fruto das minhas memórias e experiências. Ficamos ali, grudados, trocando calores, por um tempo que não pude precisar e depois desapareceu. No chão, das cores que deveriam ser, todas as roupas sujas. Agora sim, estavam somente sujas. Não dá para confundir sujeira com registros de experiências. Quem vem à minha casa sem avisar encontra meu quarto todo cheio de roupas jogadas, e sapatos pelos cantos e cobertores e lençóis sem formato. É que eu não desperdiço as Sensações que adquiro por aí, pelos dias. Trago todas para casa e as abraço, como quem pede a um amigo que não vá embora. Eu não perco absolutamente nada do que eu vivo.

Você também não deveria perder, veio tudo com você, nos teus cabelos, nos teus pelos e nas tuas roupas…

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