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A casa

Eu queria um sofá de três lugares com assentos largos e encostos macios e confortáveis, com aquela coisa de puxar para frente e poder esticar as pernas. Queria uma mesa amarela para ficar colada na parede da copa, pelo lado da sala, para colocar um vaso de flores ou uma besteirinha qualquer para alegrar a cena. Quero decorar a casa com cenas. Na parede oposta à cozinha gostaria de ter muitos quadros, de tamanhos, molduras e temas diferentes. Arte, essa droga tão perfumada que eu sempre respirei, vai ter lugar na casa. Talvez uma mini estante para lembranças, coisas importantes de serem lembradas, fotos nossas, fotos de todos nós e de nós dois. Não sei nada sobre a televisão, sobre a estante, sobre o rack ou qualquer coisa que simule móveis assim. Estou preocupado com outras coisas. Cadeiras confortáveis, uma luminária no canto para fazer o cômodo ficar aconchegante em dias de luz apagada. Coisas assim. Cenas assim.

Quero poder cozinhar as receitas que aprendi de outras vidas, sentir cheiros de pratos que eu nunca executei e partir em busca de habilidades ainda inexploradas. Vou deixar o violão pendurado ali por perto da sala, para o caso de ter uma ideia de música enquanto tô esperando o bolo crescer, ou acompanhando o cozimento dos legumes. Quem sabe eu não escrevo um livro novo sentado de frente para a varanda, vendo o sol abaixar no fim do sábado enquanto ainda não é hora de sair pra encontrar os amigos, ou enquanto eles ainda não chegaram. E quero beber e fazer brindes, fazer planos e fazer festas, fazer graça e fazer juras de amor. Quero rir, beber, comer, dormir e acordar rindo de novo. Quero coisas simples, sem formalidades, sem protocolos, sem cenas armadas, sem obrigações, só a verdade. Uma casa de verdade, com pessoas de verdade, sentimentos e emoções de verdade.

Quero um cômodo para iluminar com luzinhas pisca-pisca mesmo quando não for Natal. Quero colocar meu narguilé no centro e sentar em roda com meus amigos para falar de nada, fazer nuvens de fumaça e planos pro futuro. Quero poder ver no teto um universo inteiro nas minhas tarde de devaneios, quando não me dá vontade de falar. Quero jogar baralho, fazer barulho, dar um mergulho e dormir em paz. Uma casa é um lar ou um lar é uma casa? E quem trazemos para nossa casa é nossa família ou família é quem já estava dentro? Quem se importa? Quero dormir passando frio e acordar morrendo de calor. Quero desejar bom dia com bafo de noite longa e cara de pugilista em sexto round. Quero fazer café da manhã e derramar tudo a caminho do quarto. Quero fazer café da manhã e conseguir chegar até o quarto. Quero sentir o cheiro que nossas coisas têm quando estão juntas. Quero acender minhas velas para os orixás e fazer minhas mandingas pra quando as coisas balançarem demais. Quero ser eu nesse espaço de nós dois.

E quando chegar sexta-feira, quero que seja pela porta da sala que os melhores amigos estejam entrando. Que fumem na sacada. Que peguem a cerveja na geladeira. Que troquem de canal furiosamente e indecisos. Que soltem gargalhadas descontroladas. Que briguem pelo resultado da partida de buraco. Que assistam ao jogo enquanto nós ficamos entediados. Que estejam ao redor. Se existe uma função dos amigos, acima de qualquer outra que possa existir, é a de nos proteger. São eles que fazem com que a vida se estique um pouco mais e é por isso que nossa casa será deles também. No fim, quando todo mundo for embora, quero deitar e sentir minha companhia de todo dia ao meu lado e sorrir para a grande sorte que a vida me deu. É uma grande sorte ter um lugar para chamar de meu lugar. É uma sorte maior ainda poder chamá-lo de nosso.

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Novo mundo?!

Você já sentiu como se o mundo estivesse recomeçando? Como se o dia fosse nascer pra um mundo novo e você fizesse parte dele, como se fosse hora de deixar tudo de velho e feio para trás e dar boas vindas ao que há de mais novo e promissor. Iniciar novos planos, do zero, da prancheta, como se tudo o que já tinha sido planejado não tivesse mais nenhum valor. Já sentiu isso?! É um estalo que dá, como se a gente acordasse de um sonho nebuloso, ou como se tivesse tomado um susto no meio de uma tarde sonolenta e percebesse que o dia já era noite. É um abrir de olhos, mágico e intenso, que apresenta novas cores em paisagens já conhecidas e nos convida a dançar por outros salões de baile.

É de repente, então não tente provocar esse tipo de coisa. Não é assim que funciona. Essas sensações são como acontecimentos, são fenômenos, não podem ser controladas, previstas, evitadas ou manipuladas. Como seria possível manipular o renascimento da existência? Da sua própria existência? Não é concebível, uma coisa dessas, nem em ideias abstratas. Nessa hora Juliana diria que eu estou psicografando, tendo a certeza estranha que só ela tem de que eu não escrevo “sozinho”nesse tipo de texto. Vai ver a psicografia, a canalização, a incorporação ou qualquer outro fenômeno semelhante seja um fio condutor para esse renascimento de mundo. É estar conectado a alguém ou algo que ainda não veio, ou que já se foi há muito.

Renovação. É disso que eu estou falando. Daqueles momentos em que simplesmente a vida pede um pouco mais de ação, uma direção diferente, um novo roteiro para interpretar. Somos atores protagonistas das nossas próprias telenovelas. Tem gente que vive eternamente no núcleo cômico da história, enquanto outros encarnam o drama principal e seguem firmes no eterno perde e ganha, separa e junta, conquista e decepciona. É quando esse tipo de ciclo entra em cena que é hora de gritar em alto e bom som: “CORTA!”, e começar de novo, de um jeito melhor. Você nunca sentiu isso?! Essa vontade estranha de começar algo novo do zero e fazer acontecer? São momentos épicos em que a gente sente que tudo está no lugar certo, feito para a mudança acontecer. É quando você ouve um daqueles clássicos do Oasis e pensa sobre tudo o que daria pra fazer com isso tudo o que você é!

Talvez você já tenha passado por isso e não tenha dado importância, ou então, quem sabe, tenha lhe faltado fibra na hora de tomar a decisão da virada, aquela hora em que tudo muda. Porque, claro, é preciso muita coragem para fazer renascer um mundo assim, tão redondo, tão ok, como o que a gente vive. Mas nunca te deu curiosidade para saber o que é que poderíamos ter sido se não fossemos nós mesmos desse jeito que nos fizeram ser? Eu sei que parece confuso, talvez até um pouco mirabolante, mas se fosse para reduzir tudo isso em algumas poucas palavras, a melhor maneira seria em forma de pergunta. Uma pergunta só. Dessas que a gente ouve e leva pro almoço, mastiga preso no trânsito, guarda debaixo do travesseiro e fica ruminando dias e dias sem parar. Afinal, você está satisfeito?

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Vou publicar um livro!

“Minha ‘xana’ tem gosto de Pepsi-Cola”, disse Lana Del Rey, no primeiro verso de “Cola”, uma música do seu último EP. E ela disse isso porque queria dizer, porque teve vontade, porque achava que ia ser bacana começar uma música que fala sobre jovens garotas fazendo sexo com homens bem mais velhos, casados, que vivem o sonho de fugir com uma moçoila safadinha para transar e viver uma vida de excessos que ficou para trás com a juventude que já acabou. Ela teve a ideia, ou alguém teve a ideia e mostrou pra ela, que achou “super” e decidiu gravar a música – que é ótima, by the way – sem medo de ser feliz.

Tem vezes que encontrar uma ideia divertida e que nos passe um pouco de crédito é tudo que precisamos para dar um passo que pode mudar todos os outros que virão a seguir. Tipo decidir ligar o foda-se e contar pra geral o sabor que a sua vagina tem! Foi seguindo esse raciocínio, juntando com um monte de desejos e outras coisas que muita gente me diz, me sugere e me apresenta, que eu decidi publicar um livro virtual. Eu sei… Não parece tão transgressor quanto falar sobre sexo de mocinhas sub-18 fedendo a refrigerante com caras pós 50 fedendo a cana, mas acredite, pra quem vai dedicar, horas, muitas horas, dias, semanas e massa cinzenta pra escrever, é uma aventura arriscada pra caralho.

Uns chamam de livros virtuais, outros chama de ePubs e eu gosto mais de chamar de eBook. É uma obra igual à que você compra de papel, mas foi feita para ser lida em eReaders, tablets, celulares e computadores. Claro que não é todo mundo que tem um aparelho de leitura digital, nem todo mundo tem saco de ler alguma coisa que não seja no papel, mas acredite, isso vai mudar. Eu acredito!

Desde a expansão da Amazon com seu gracioso Kindle (o eReader mais famoso do mundo) sendo arremessado na cara de leitores do mundo todo, vi que era uma fagulha para a mudança que jamais retornaria. Assim como as revistas estão fechando e investindo em sites mais legais, assim como os jornais agora cobram por conteúdos online, os livros, meio tardiamente, mas com cerca exclusividade quanto à plataforma, também chegaram ao mundo digital. E foi pra ficar!

Os eBooks não são o futuro, de modo algum. Seria até meio babaca dizer isso. Os eBooks são o presente, quase chegando no passado recente, porque quem não lê na internet, daqui há um curto tempo, vai começar a perceber que está caro comprar o papel, além de ser meio complexo de guardá-los, caso você leia muito. Vou dar um exemplo: meu livro, no formato digital, pode ser vendido a preços baixíssimos, tipo, R$ 8 em uma obra com 160 páginas. Porém, seria muito difícil ficar abaixo dos R$ 35 se exatamente o mesmo livro fosse vendido em papel. Entendeu meu objetivo?

Por isso, minha primeira empreitada literária será com um eBook, devidamente disponível em sites legais, honestos, como os da Libraria Saraiva e a loja de livros da Amazon.com. Quero ser lido, e isso é o que importa! O projeto já está em produção, será uma história longa, estilo romance, que é um formato que venho treinando e aperfeiçoando, porque não está dentro da minha zona de conforto, mas será bom. Garanto, com todas as minhas forças, que será bom. Afinal, meu pau não tem gosto de Pepsi-Cola, mas eu também estou apostando que fazer isso será divertido e interessante, que vai ser uma obra “super” e eu vou escrevê-la sem medo de ser feliz, independentemente da opinião de quem quer que seja. Sendo assim, será bom! Aguardem…

e obrigado a você, que ficou animado(a) com isso!

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